Não era isso. Não era assim. Um dia eu sonhei. Sonhei um sonho na mesma intensidade que uma criança sonha. Sonhei coisas que as crianças não sonham. Mas, eu sonhei. Sonhei um sonho de adulto, porém, mais infantil do que um sonho de criança. Sonhei um sonho mais infantil do que fadas, princesas e castelos. Como eu pude ser tão infantil? Como depois de tanto tempo, posso continuar sendo tão infantil ao ponto de sonhar as mesmas coisas? Afinal de contas, por que sonhar? Tudo que eu almejei, graças a Deus, o que era pra ser meu, às minhas mãos chegou. Tudo que eu sonhei talvez tenha sido real, mas real apenas no mundo dos meus sonhos. Talvez se meus sonhos tivessem um choque de realidade, nem que fosse aquele leve toque de imperfeição, talvez eles tivessem sido reais nesse mundo também. Mas quem sonha com a imperfeição? Pois eu tenho aprendido a sonhar com a imperfeição. E isso só me faz pensar: "Devo parar de sonhar." Se eu pudesse dizer algo para as crianças de hoje, eu diria: "Deseje! Queira! Almeja! Só não vá sonhar. Sonhar faz mal." Por que misturar sonho com realidade? Sonhos são tão ilusórios. Sonhos são apenas sonhos. Sonhos não nasceram para serem reais. Sonhar é sair da realidade, sem sair dela. Sonhar não é estar com os pés no chão. Sonhar é flutuar por um outro mundo sem sair desse. Quem deseja é feliz. Quem quer é feliz. Quem almeja é feliz. Quem sonha não é feliz. Sonhar é um vício. Sonhar causa dependência. Quem sonha não é livre. Quem sonha não sabe o que é liberdade. Quem sonha quer, de fato, conhecê-la, e se distancia cada vez mais disso. A vida não foi feita para ser sonhada. Então, meu filho, vá viver a sua vida. Só não vá sonhar!
Monique Furtado
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