"O sentido está nos sentidos. Nada mais óbvio, nem mais bonito."

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A ordem é esquecer.

A minha nova ordem de vida é: ESQUECER.
Esquecer que eu existo, esquecer os meus sonhos, esquecer os meus medos, esquecer as dificuldades, esquecer datas, esquecer decepções, esquecer alegrias passadas, esquecer lágrimas choradas, esquecer objetivos, esquecer quem eu sou, esquecer aquilo que eu me esforço pra ser, esquecer o quanto eu gostaria de transformar quase tudo em poucos segundos. Gostaria de viver como no filme "Como se fosse a primeira vez" (acho que esse é o nome do filme). Toda alegria seria vivida intensamente, uma vez sabendo que não existiriam momentos nostálgicos, nem instantes em que eu pudesse cair na infelicidade de comparar aquilo que foi bom com aquilo que não foi. Nenhuma lágrima ia ser derramada pelo mesmo motivo. Nenhuma raiva, nem mágoa habitaria meu coração por muito tempo. Quase tudo existiria por pouco tempo. Um tempo tão curto que não seria suficiente para apegar-se a qualquer coisa. Nem as lembranças existiriam, tudo seria esquecido. As mesmas emoções, nas mesmas situações, em momentos diferentes, como se nada daquilo fosse vivido anteriormente, longe de qualquer trauma, qualquer dor, qualquer pensamento passado ou futuro. Longe de tudo que está longe. Perto de tudo que se refere ao agora e SOMENTE ao agora. Mas essas não são as regras da vida. A vida gosta de experiência, bagagem. E bagagem é algo que eu não gostaria de ter, pelo menos não tenho gostado. Cadê a lixeira da minha vida? Está mais do que na hora de jogar muita coisa no lixo. Quando eu acho que superei, enfrento situações semelhantes e me vejo mais fraca do que antes. É como se o passado ainda existisse e andasse ali, logo ali, do outro lado da calçada. Algumas vezes me apresso e até parece que consegui deixá-lo pra trás, numa distância que me permite estar mais perto daquilo que eu gostaria de ser ou preciso ser. Mas eu preciso andar devagar, não posso correr o tempo todo. Certas coisas só dão certo em velocidade mínima. E é nesse momento que o passado, apressado desde quando ainda era presente, fica bem visível ao meus olhos. Por que o novo vem acompanhado de velhas histórias que insistem em se repetir? E o tempo passa, está sempre passando. E essa sou eu, lamentando a espera de "re"viver uma velha história, cujo final eu quase sempre posso prever.

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