"O sentido está nos sentidos. Nada mais óbvio, nem mais bonito."

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

"Quem espera que a vida seja feita de ilusão, pode até ficar maluco ou morrer na solidão. É preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer. É PRECISO SABER VIVER."

E eu não sei. Não aprendi isso na escola. Aliás, acho que isso não se aprende lá. Isso se aprende com a própria vida e eu acho que ela está me reprovando. Logo eu, que já prometi não me importar mais com as coisas que ela não me deixa ter. Eu faço de tudo, corro quando tem que correr, espero quando tem que esperar, tô aqui, tô ali mas aí chega a vida e parece que fala assim: "Não adianta, sua idiota. Será que você ainda não percebeu?" E eu só levando na cara. Como uma boa pessoa, eu ofereço a outra face à ela. Mas é só pra apanhar mais. Minhas palavras não tem poder algum. E alguma vezes eu dou graças a Deus por isso. Outras, não. Percebo que dizer "Chega!" não muda nada. As coisas mudam .... Sei lá quando mudam. Nessas horas não consigo pensar no que mudou. Me esforço pra lembrar como era antes. O que eu pensava quando ligava a tv, quando ligava o rádio, antes de ir dormir, ao acordar? Não lembro muito bem. Eu devia pensar em algo muito insignificante. E como eu queria que isso fosse insignificante. Talvez eu deixasse de pensar e depois de um tempo nem me lembraria mais sobre o que eu pensava. E, então, eu penso: "Meu Deus, o que eu faço?". Acho que sei a resposta certa. Mas só acho também. Não adianta muito. Vou lá e faço diferente. Aí culpo a vida. Mas a vida está "tão nem aí pra mim" que ela não quer saber de bate boca. Aí me culpo, me xingo, ponho toda a culpa nas minhas costas. Mas não me parece suficiente. Tem culpa sobrando. O que eu faço com esse resto? Culpo quem de nada sabe e muito provavelmente está com a cabeça livre e ocupando a minha sem saber. Tá, o assunto da culpa está resolvido. Do meu jeito mas está resolvido. E aí? O que vem depois. Depois não vem nada. Não adianta saber de quem é a culpa. Adianta saber o que eu faço agora. Espera! Acho que estou recebendo uma resposta em minha mente. Acho que ela está dizendo: "Se não está fazendo bem, jogue fora." Sim, cérebro. Agora explica pro coração como se faz isso. Cadê a lixeira? Meu coração não sabe onde fica. Mas eu acho que ele sabe sim. De onde ele tira tanta coisa pra ficar remoendo? De onde ele tira tanto lixo pra mastigar? Ele sabe. Como se faz pra esvaziar a lixeira? Só quero saber. Não tomarei essa atitude. Sim, eu devo. Eu quero. Mas não posso.

Monique Furtado

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